Sustentável com muito estilo e bom gosto

A designer de joias Silvia Blumberg realiza um trabalho bastante inusitado, baseado em tudo o que vivenciou no período em que trabalhava como assistente social. Capaz de transformar lixo em luxo, Silvia tem um trabalho que chama a atenção na cena do design de joias: o uso de materiais não convencionais como pó de madeira, cimento, pó de tijolo, papel e vidro aliados à prata, ao ouro e a outras pedras preciosas, para criar suas peças. E o resultado é sempre exuberante. 

Antes de começar a trabalhar com criações sustentáveis, Silvia já desenhava joias, sempre utilizando a brasilidade a favor de sua arte. A designer ganhou diversos prêmios na área do design, participou da FENINJER (Feira Nacional da Indústria de Joias, Relógios e Afins), e teve suas joias importadas para países como Estados Unidos, Canadá, Panamá e Israel. Em 2005 e 2006, participou do curso de Moda e Gestão ministrado em parceria entre a AZOV e a UniverCidade, onde desenvolveu ainda mais suas habilidades com grandes nomes como Lu Catoira (fundadora do Senai Cetiqt) e Paula Acioli (Coordenadora de Moda da FGV).  

Elementos da própria natureza

O seu trabalho sustentável teve início em 2008, logo após a ocorrência das enchentes que castigaram Santa Catarina, região Sul do país. A destruição e o desamparo da população tocaram a designer e fizeram nascer nela o desejo de produzir um trabalho mais sustentável, com mais respeito à natureza. Silvia começou a estudar o meio ambiente e introduzir materiais que seriam descartados em suas criações. Sua primeira experimentação foi com resíduos da construção civil, como cimento e raspas de tijolo. Depois passou a incorporar elementos da própria natureza, como bagaço de cana, asas de besouros, pedaços de chifres – todos recolhidos de forma natural, no solo. A própria prata que utiliza nas peças é fruto de reciclagem de radiografias.

A linha descartável de Silvia recebeu prêmios, rendeu convites para feiras e eventos, além da aparição de suas joias em programas de televisão de diversas emissoras. 

Design arrojado, contemporâneo e elegante

As joias desenhadas por Silvia Blumberg não lembram em nada produtos artesanais, pelo contrário. As joias possuem design arrojado, contemporâneo e elegante, com curvas, ângulos, e formas elaborados, combinados com pedras incrustadas, que se tornam um diferencial em suas coleções ecológicas. São anéis com detalhes em cimento tingido, brincos coloridos por sumos de vegetais, braceletes com areia da praia, colares com pó de madeira – os materiais mais inusitados – e descartáveis – ganham vida nas mãos da designer. 

Por conta de seu trabalho diferenciado, Silvia Blumberg recebeu diversos prêmios e convites para participações em eventos nacionais e internacionais. Em 2001 foi finalista nas Américas do American Facet Award – concurso promovido pela Signity – e ficou entre as 20 joias mais belas, em 2002 ganhou o segundo lugar no Prêmio IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais) com o colar Mata Atlântica, na categoria Joias Artesanais, em 2012 recebeu do Sebrae o prêmio de Brasilidade e Sustentabilidade, entregue durante o Fashion Rio como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido com produtos com menor impacto ambiental e em 2014 participou do Encontro Latino Americano de Design, na Universidade de Palermo, em Buenos Aires. No mesmo ano foi incluída no comitê da moda da América Latina.

Rio + Design, em Milão – Itália

Silvia foi uma das selecionadas para participar da mostra Rio + Design, em Milão. A designer levou para terras italianas duas de suas criações, ambas utilizando prata reciclada e restos de madeira: Brinco Órbita e Anel Amor Sustentável. As peças selecionadas para o Rio + Design seguem os preceitos da Sustentabilidade e Educação Ambiental e fazem parte da coleção “Canteiro de Joias”. O Brinco Órbita vem em forma de interrogação, sugerindo a reflexão acerca do tema, já que sua criação utiliza resíduos de madeira, coletados durante a instalação de móveis de madeira certificada. Já o Anel Amor Sustentável é em formato de coração e vem com uso de gemas e resíduos de madeira. A peça remete ao amor simples e eterno à prova de intempéries.  

JMJ e Rock in Rio 2013

Licenciada da JMJ e do Rock in Rio 2013, eventos internacionais que tiveram o Rio de Janeiro como sede.  desenhou produtos especiais para cada ocasião.  Para a JMJ, evento que reuniu fieis da Igreja Católica do mundo todo na Cidade Maravilhosa e que contou com a presença do Papa Francisco, Silvia desenvolveu pingentes de prata com a logomarca do evento, além de ter convidado a artista Julieta Sandoval para criar pulseiras e colares de papel com uma técnica especial de papel prensado. Também desenvolveu um colar, a pedido de Padre Anísio, um dos organizadores da JMJ, para ser entregue ao Papa. Inspirada na personalidade do Pontífice, Silvia criou um colar, parecido com um terço, cheio de simbolismos. O bambu representando a flexibilidade, as sementes simbolizando a canalização da fé como resgate da paz entre povos, os cristais simbolizando a pureza. A peça traz ainda representações do ar (snipe), do mar (golfinhos) e das florestas (folhas e uma flor da vida em medalha redonda – que gera em suas formas a estrela de David e as pirâmides do Egito), Abrahão (o bebê, o patriarca de todas as religiões monoteístas), um par de mãos que simboliza ações e atitudes, um livro – que representa a reprodução do salmo judaico “Amarás ao próximo como a ti mesmo”) e, na extremidade, a cruz simbolizando o renascimento segundo a fé cristã, adornada com areia da praia de Copacabana, coletada após a visita do Papa.

Joias com cimento

Esse foi o primeiro material utilizado por Silvia desde que começou a trabalhar com materiais diversificados e sustentáveis. A ideia surgiu após as enchentes de Santa Catarina, em 2008, quando começou a estudar sobre a legislação urbanística e sobre o que teria causado a enchente. 

Joias com pó de madeira

Através de seus estudos Silvia descobriu que a madeira cortada para a confecção de móveis e outros produtos deixa um resíduo em pó que é descartado como lixo. Com sua visão mais apurada para possíveis novos materiais, ela percebeu que a quantidade desperdiçada de pó de madeira numa simples instalação de móveis era enorme. Em sua participação na FIEMA 2012 (Feira Internacional de Ecologia e Meio Ambiente), em Bento Gonçalves, visitou as instalações do grupo Dell Anno, onde percebeu a oportunidade de reciclar o pó da madeira. Conseguiu apoio de uma franqueada e grande parte do material que hoje utiliza em novas joias vem dessa parceria. O pó da madeira tem sua aplicação em joias de prata, ouro, com gemas brasileiras e até diamantes. 

Joias de papel

Ao se deparar com inúmeras reclamações de clientes sobre o peso das joias nas orelhas, Silvia não descansou enquanto não decifrou uma solução que fosse ao mesmo tempo viável e elegante. Foi quando surgiu a ideia de transformar papel em obras de arte. Com a ajuda de profissionais da técnica Quilling (ou filigrana em papel), Silvia desenhou brincos e cordões que ganharam a leveza do papel, aliados a pequenas pedras e metais, transformando o conceito de joia em algo muito mais amplo e contemporâneo.   

Em 2012, Silvia ministrou uma palestra sobre sustentabilidade na faculdade Iesplan, em Brasília, durante a Semana de Administração e Sustentabilidade da Universidade. Na época, visitou as obras do Estádio Mané Garrincha, de onde retirou resíduos de terra para uma nova coleção, a Brazilândia, que ficou em exposição no Parque da Bola, no Rio de Janeiro, durante a Copa do Mundo. E o design é carregado de simbologias: agregou linhas de construções icônicas de Brasília para dar forma às suas criações: o estádio Mané Garrincha, o Congresso Nacional, os Três Poderes simbolizado por Três Corações, e o anel Joaquim Barbosa – a pérola negra do Cerrado. Todo o design dessa coleção foi inspirado em Oscar Niemeyer, arquiteto que deu vida aos maiores símbolos de Brasília.

Joias com pó de tijolo

Em 2010, quando participou de uma exposição no RioCentro, Silvia montou estande ao lado de uma empresa que produz tijolos no estado do Rio de Janeiro. Interessada em aprender sobre mateiras primas, procurou saber mais sobre o uso deste material nas obras e os problemas que atingem os tijolos danificados. Estudou as dificuldades do trabalho com tijolo e seu transporte e decidiu aprimorar seu trabalho, passando de joias com pedaços de tijolo para joias com o pó do tijolo.         

Joias com Coco

O trabalho com o coco começou após a descoberta de uma empresa italiana que representava várias comunidades de baixa renda. Um dos grupos é das Filipinas e, após se apaixonar pelo material que eles trabalham, começou a utilizá-lo em suas produções.    

Joias com chifre

A ideia de trabalhar com chifre surgiu após Silvia conhecer empresas ligadas à ecologia que estavam se desenvolvendo com consultoria do Sebrae. A partir daí firmou parceria com uma empresa do Pantanal Mato-Grossense e customiza os produtos com materiais nobres como ouro e pedras preciosas.  

Joias com asas de besouros

Durante o MBA de moda que cursou conheceu uma professora que indicou um alemão residente no Rio de Janeiro, que colecionava asas de besouro e tinha o sonho de transformá-las em joias. Silvia uniu o útil ao agradável e criou uma coleção inteira com asas de besouro – que são recolhidas após a morte natural dos besouros.  

Joias com cabelo

Esse é um trabalho que Silvia faz sob encomenda. A ideia surgiu após a Zica, sócia do salão Beleza Natural, entrar em contato com ela a fim de criar uma joia comemorativa do salão. Silvia, então, criou um anel no qual a logo estava desenhada na joia com seu próprio cabelo. Essas joias podem ser feitas com chumaços de cabelo de bebês, com misturas de cabelos de casais e outras inúmeras opções.  

Joias com areia da praia

As joias com areia da praia surgiram após a visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro. Silvia quis fazer uma homenagem ao Papa e criou um colar que tem o mapa do Brasil e uma cruz coberta com a areia de Copacabana. A partir desse fato, decidiu criar joias com as areias das praias do Rio de Janeiro, especialmente em ocasião das comemorações dos 450 anos da Cidade Maravilhosa.

Joias com bagaço da cana

A ONG AME (Associação de Mulheres Empreendedoras), de Campos dos Goytacazes, entrou em contato com Silvia com o pedido de transformar suas pastilhas feitas com bagaço de cana colhido por elas em joias. Silvia gostou tanto do resultado que fez também puxadores de móveis com o material. 

Joias com Bordado

Em 2018, participação no Veste Rio, lançando a coleção Passarinhando com objetivo de mostrar o meio ambiente e as aves. Falar dos descartes de plásticos na natureza e suas consequências drásticas.

Quem usa
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